quinta-feira, 30 de abril de 2015

Namora uma rapariga que lê



«Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro em livros em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde os doze anos.
Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler na mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que procurava. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas e usadas.

Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares para a chávena, verás a espuma a pairar à superfície, porque também ela está enlevada. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.

Oferece-lhe outra chávena de café.

Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade do Anel. Entende que, se ela disser ter percebido o Ulisses de James Joyce, é só para soar inteligente. Pergunta-lhe se gosta da Alice ou se gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal, em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, Cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua.

Ela tem de arriscar, de alguma maneira.

Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, subtileza, diálogo. Nunca será o fim do mundo.

Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois.

Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo.

Se encontrares uma rapariga que lê, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo.

Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.

Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.

Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê.

Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve.» 



Calendário wallpaper de Maio com leitora / May wallpaper calendar with woman reading



Clique na imagem para aumentar e gravar.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Primeiro leitor, depois escritor / First a reader, then a writer




"Like many others who turned into writers, I disappeared into books when I was very young, disappeared into them like someone running into the woods. What surprised and still surprises me is that there was another side to the forest of stories and the solitude, that I came out that other side and met people there. Writers are solitaries by vocation and necessity. I sometimes think the test is not so much talent, which is not as rare as people think, but purpose or vocation, which manifests in part as the ability to endure a lot of solitude and keep working. Before writers are writers they are readers, living in books, through books, in the lives of others that are also the heads of others, in that act that is so intimate and yet so alone".

terça-feira, 28 de abril de 2015

Tchauzinho que eu agora vou ler! / Bye, Bye, now I'm going to read!


As nossas obrigações para com a palavra escrita, por Neil Gaiman / Neil Gaiman on Our Obligations to the Written Word



I believe we have an obligation to read for pleasure, in private and in public places. If we read for pleasure, if others see us reading, then we learn, we exercise our imaginations. We show others that reading is a good thing.
We have an obligation to support libraries. To use libraries, to encourage others to use libraries, to protest the closure of libraries. If you do not value libraries then you do not value information or culture or wisdom. You are silencing the voices of the past and you are damaging the future.

We have an obligation to read aloud to our children. To read them things they enjoy. To read to them stories we are already tired of. To do the voices, to make it interesting, and not to stop reading to them just because they learn to read to themselves. Use reading-aloud time as bonding time, as time when no phones are being checked, when the distractions of the world are put aside.
 Neil Gaiman

domingo, 26 de abril de 2015

terça-feira, 21 de abril de 2015

Vem aí o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor / World Book and Copyright Day is coming




"O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de abril. Trata-se de uma data simbólica para a literatura, já que, segundo os vários calendários, neste dia desapareceram importantes escritores como Cervantes e Shakespeare, entre outros. A ideia da comemoração teve origem na Catalunha: a 23 de abril, dia de São Jorge, uma rosa é oferecida a quem comprar um livro. Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tornou-se uma tradição em vários países do mundo".


Aqui fica a a mensagem que Irina Bokova, directora-geral da UNESCO, escreveu para assinalar este Dia em 2015:

O Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor é uma oportunidade para reconhecer o poder dos livros na mudança das nossas vidas para melhor e para apoiar os livros e aqueles que os produzem.
Como símbolos globais de progresso social, os livros – aprendizagem e leitura – tornaram-se alvos para aqueles que denigrem a cultura e a educação, que rejeitam o diálogo e a tolerância. Nos últimos meses, temos visto ataques contra crianças nas escolas e a queima pública de livros. Neste contexto, o nosso dever é claro – devemos redobrar os esforços para promover o livro, a caneta, o computador, juntamente com todas as formas de leitura e de escrita, de modo a combater o analfabetismo e a pobreza, a construir sociedades sustentáveis, e a fortalecer as bases da paz.
A UNESCO tem liderado a luta contra o analfabetismo, a ser incluída como elemento fundamental nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 2015. A alfabetização é a porta para o conhecimento, essencial para a auto-estima e o empoderamento individuais. Os livros, em todas as formas, desempenham um papel essencial neste aspecto. Com 175 milhões de adolescentes no mundo – a maioria meninas e mulheres jovens – incapazes de ler uma única frase, a UNESCO está empenhada no domínio das tecnologias de informação e comunicação, em especial as tecnologias móveis, de forma a apoiar a alfabetização e a alcançar os excluídos com aprendizagem de qualidade.
Os livros são plataformas de valor incalculável para a liberdade de expressão e o livre fluxo de informação – estes são essenciais para todas as sociedades actuais. O futuro do livro como objeto cultural é inseparável do papel da cultura na promoção de vias mais inclusivas e sustentáveis ​​para o desenvolvimento. Através da sua Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, que celebra o seu 10º aniversário este ano, a UNESCO pretende promover a leitura entre os jovens e os grupos marginalizados. Estamos a trabalhar com a International Publishers Association, a International Booksellers’ Federation e a International Federation of Library Associations para apoiar as carreiras profissionais nas editoras, livrarias, bibliotecas e escolas.
Este é o espírito norteador de Incheon, na Coreia do Sul, que foi designada Capital Mundial do Livro 2015, em reconhecimento do seu programa para promover a leitura entre as pessoas e as camadas mais desfavorecidas da população. Esta designação entra em vigor no Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor e será comemorada com os participantes do ano anterior, Port Harcourt, na Nigéria.
Com Incheon e toda a comunidade internacional, vamos unir-nos para comemorar os livros como a personificação da criatividade, o desejo de compartilhar ideias e conhecimentos, para inspirar a compreensão, o diálogo e a tolerância. Esta é a mensagem da UNESCO sobre o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor.

Mensagem de Irina Bokova, Directora-Geral da UNESCO, por ocasião do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor 2015
 Aqui ficam alguns links relacionados com este dia:

BAD 

Uma das minhas qualidades...


O meu marido que o diga! :)

segunda-feira, 20 de abril de 2015

A Bibliotecária, de Logan Belle: as 50 Sombras de Grey na biblioteca


Como bibliotecária e amante de livros que sou, tudo o que diga respeito a livros, bibliotecas, bibliotecários, escritores chama-me à atenção. Foi assim que esbarrei com este livro há uns tempos. Li-o em inglês, pensei que nem sequer havia edição portuguesa.

O título completo é "Bettie Page apresenta A Bibliotecária". Ora eu desconhecia que Bettie Page foi uma pin-up que aparecia em fotos de carácter fetichista. Se o tivesse sabido não teria ficado tão surpreendida pelo conteúdo. O que temos aqui é literatura erótica com bibliotecas e livros à mistura, com clara inspiração nas 50 Sombras de Grey.

Temos um macho alfa dominante que gosta de tirar fotografias eróticas, uma bibliotecária jovem e inocente, prática de sadomasoquismo e uma história de amor com mais sexo do que desenvolvimento emocional. É possível um romance erótico ter sexo a mais?

Numa classificação de 1 a 5,  dei um modesto 2.

Mas para quem tenha, como eu, um fétiche por bibliotecas e livros é uma sugestão. :) Vi à venda na WOOK.

"A jovem Regina Finch adora livros e sente-se feliz porque conseguiu o seu emprego de sonho: trabalhar na New York Public Library. Mas o que parecia ser a promessa de uma rotina tranquila no meio de clássicos da literatura revela-se um irresistível jogo de sedução quando conhece o enigmático Sebastian Barnes. Um dia Regina descobre por entre os corredores do santuário bibliotecário uma tórrida cena sexual entre Sebastian e uma funcionária. Uma mistura de repulsão e desejo consome Regina e uma paixão despertará na jovem sensações jamais imaginadas. Uma tarde repara num livro sobre a vida de Bettie Page. Com estes trunfos, Regina espera descobrir a sua destreza sexual e seduzir o homem que ama".  WOOK




Ler ao sol / Reading in the sun


Clemente Tafuri (1903-1971)


sábado, 18 de abril de 2015

O livro segundo Leonardo Sciascia




"Um livro é um objecto: pode colocá-lo sobre uma mesa ou apenas guardá-lo, mas se o abrir e o ler torna-se num mundo".  







Acção de formação "Ebooks e Leitura Digital" dia 20 em Algés


No próximo dia 20 de Abril, das 15h00 às 18h00, vai decorrer na Biblioteca Municipal de Algés a ação de formação "Ebooks e Leitura Digital." 
Inserida no Plano de Formação Anual do Centro Oeiras a Ler, esta ação destina-se a jovens e adultos com curiosidade sobre ebooks e leitura em suporte digital.

Informações e inscrições: 
Biblioteca Municipal de Algés | 210977480 | multimedia.bma@cm-oeiras.pt
 


quarta-feira, 15 de abril de 2015

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Ler a minha dor nos outros / My pain is their pain



“You think your pain and your heartbreak are unprecedented in the history of the world, but then you read. It was books that taught me that the things that tormented me most were the very things that connected me with all the people who were alive, or who had ever been alive."

terça-feira, 7 de abril de 2015

Um café e um poema



ARTE POÉTICA

Num romance, uma chávena é apenas
uma chávena — que pode derramar
café sobre um poema, se o poeta,
bem entendido, for a personagem.

Num poema, mesmo manchado
de café, a chávena é certamente a
concha de uma mão — por onde eu
bebo o mundo, em maravilha, se tu,
bem entendido, fores o poeta.

No nosso romance, não sou sempre
eu quem leva as chávenas para a mesa
aonde nos sentamos a noite, de mãos dadas,
a dizer que a lata do café chegou ao fim,
mas a pensar que a vida é
que já vai bastante adiantada para os
livros todos que ainda pensamos ler.

No meu poema, não precisamos
de café para nos mantermos acordados:
a minha boca está sempre na concha da tua mão,
todos os dias há páginas nos teus olhos,
escreve-se a vida sem nunca envelhecermos.


domingo, 5 de abril de 2015

sábado, 4 de abril de 2015

Ela / "She walks in beauty, like the night..."




She walks in beauty, like the night
Of cloudless climes and starry skies;
And all that's best of dark and bright
Meet in her aspect and her eyes...

Lord Byron

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Real beauty lies in-between spaces




"I want you to stop running from thing to thing to thing, and to sit down at the table, to offer the people you love something humble and nourishing, like soup and bread, like a story, like a hand holding another hand while you pray. We live in a world that values us for how fast we go, for how much we accomplish, for how much life we can pack into one day. But I’m coming to believe it’s in the in-between spaces that our lives change, and that the real beauty lies there".

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